In§tante§ ð'um £ouco: Setembro 2008
Nem os mares da saudade
me concedem
a linha dos teus lábios
a desenhar os meus.
Nem as carícias sangrando
me oferecem
a volúpia da tua boca
a pronunciar o meu nome.

Falta-me o sabor do teu beijo
No silêncio dos nossos passos...
Reinos de beatitude
Reinos de luz
Uns nascem para os doces prazeres
Outros nascem para a noite de que nunca vêem o fim.

Tomo a estrada principal para o fim da noite
Parto em viagem para a meia-noite deslumbrante
Fim da noite...
Vida...
Dobro-a, vergo-a
Ponho-lhe algumas mantas, uns cartões
Ofereço-lhe conforto.
A dor assim é menor...
Há mesmo instantes em que penso que é tudo meu.
A verdade é que a existência doi.
Doi muito...
O que me impede de ser um suicida?
É esta dor que a vida me dá e que me sabe tão bem.
Tem sabor a vida!

Apetece-me gritar
Tenho sede de silêncio...
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